Avalon

Muito tempo passou desde que as pedras se arremessaram ou as fogueiras se acenderam para calar a voz a muitas que se rebelaram com as suas ideias infames e pensamentos tortuosos, desviando o homem da sua santidade natural.
Foram precisos séculos de controvérsia em volta de uma Madalena pecadora ou de um Judas supostamente traidor (na iminência perigosa actual de se tornar um verdadeiro herói na história de Jesus de Nazaré) para perceber (ou pelo menos, desconfiar) que, se um pecado nunca vem só, também, quem o comete não o faz sozinho. Há sempre uma mão invisível (Adam Smith tinha a sua razão) que nos empurra para o desconhecido. E tudo o que é desconhecido, é, obviamente, sinónimo de obscurecido e de desconfiável...reunindo, portanto, as condições necessárias para ser banido pelas religiões mais certas e saudáveis!
O decurso da própria História, o desenvolvimento (feliz!) da mentalidade de homens e mulheres, as consequências de actos incontáveis de coragem definiram o poder de uma forma mais abrangente. A opinião feminina começou a ser importante para ouvidos outrora fechados.
Curiosamente, no âmbito da religião, esses ouvidos parecem continuar fechados...E essa indisponibilidade infiltra-se nas chefias do mundo social e económico.
Há casos merecedores de estudo mais aprofundado, que contradizem o sentido que a dignidade humana deverá conter. Casos como aqueles que descriminam a maternidade em troca de segurança laboral e elevadas contrapartidas, como se representasse por si o só pior dos entraves ao poder...
Ainda não passei pelo advento da maternidade. Mas não me parece que haja melhor expressão e manifestação de poder!E este poder, sim, deve ser celebrado sempre e com a importância devida.
Sou por Avalon.
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